sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Papa oferece espetáculo circense para os pobres de Roma

Cidade do Vaticano (RV) – A Esmolaria Pontifícia, o departamento que cuida das iniciativas de caridade do Vaticano, promove, em conjunto com o Circo Rony Roller, uma tarde de diversão e confraternização nesta quinta-feira (14/01).
Será oferecido um espetáculo circense gratuito para pessoas sem-casa, refugiadas, um grupo de encarcerados e carentes, com seus assistentes voluntários. O Circo colocou à disposição todos os 2000 lugares para o evento de caridade. 
Oração de agradecimento ao Papa
A apresentação será aberta com uma canção dedicada ao Papa Francisco e composta por um artista espanhol que é também um morador de rua. A música será a oração inicial e também um agradecimento ao Pontífice por mais este gesto de proximidade a todos eles. 
Dirigindo-se aos circenses, em audiência de um ano atrás, o Papa disse que "as pessoas que fazem espetáculos no circo são criadoras de beleza e isto faz bem à alma. Precisamos tanto de beleza"!.
Criar gestos de beleza
A Esmolaria afirma, em comunicado, que "este dom oferecido pelos artistas do Circo que, com constância, empenho e muitos sacrifícios conseguem criar e doar beleza a si mesmos e aos outros, poderá ser também para nossos irmãos mais pobres um encorajamento a superar as asperezas e dificuldades da vida, que por vezes parecem demasiado grandes e insuperáveis".
"Além disso - informa a nota - médicos e enfermeiros dos Serviços Médicos do Vaticano, equipados com um trailer móvel e ambulâncias do Vaticano, oferecerão consultas e assistência gratuita aos nossos irmãos mais desfavorecidos. No final do espetáculo, haverá um lanche para todos". 
(CM)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Não percam a esperança, diz Papa para Jubileu dos Adolescentes

Cidade do Vaticano (RV) - Em sua mensagem ao Jubileu da Misericórdia dos Adolescentes, divulgada nesta quinta-feira (14/01), o Papa Francisco voltou a reforçar que o Jubileu é para todos, sem distinção, e fez um convite aos jovens que vivem em áreas de conflitos ou de extrema pobreza a continuar contra a corrente. "Não acrediteis nas palavras de ódio e terror que se repetem com frequência; pelo contrário, construam novas amizades".
Entre as novidades deste Ano Santo da Misericórdia, está o Jubileu dos Adolescentes, que será celebrado nos dias 23 e 24 de abril e voltado à faixa etária dos 13 aos 16 anos de idade.
Para todos
Com o tema "Crescer misericordiosos como o Pai", em sua mensagem, o Papa Francisco destaca que "não há fronteiras nem distâncias que possam impedir a misericórdia do Pai de nos alcançar, tornando-se presente no meio de nós" O Santo Padre lembra ainda aos adolescentes que a Porta Santa está aberta em Roma e em todas as dioceses do mundo.
Aos jovens, Francisco explica que o Jubileu é um período santo de reflexão e de descoberta. "Viver como irmãos – diz o Papa - é uma grande festa, a mais bela que se pode sonhar, a festa sem fim que Jesus nos ensinou a cantar através do seu Espírito".
Sejam corajosos
Segundo o Pontífice, o tema escolhido para o Jubileu dos Adolescentes é também uma oração da Igreja aos jovens de todo o mundo. "Crescer misericordiosos significa aprender a ser corajosos no amor prático e desinteressado, significa tornar-se grande tanto no aspecto físico, como no íntimo de cada um. Estejam preparados para tornarem-se cristãos capazes de escolhas e gestos corajosos, capazes de construir cada dia, mesmo nas pequenas coisas, um mundo de paz", afirma o Papa.
Francisco reconhece, no entanto, o período de mudanças que ocorre na vida dos adolescentes. Apesar disso, ele pede a eles que "permaneçam firmes no caminho da fé, com esperança no Senhor". "Com Ele – ressalta o Pontífice, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostem nos grandes ideais, nas coisas grandes".
Guerra e pobreza
Aos adolescentes que vivem em áreas de conflitos, de guerras e de extrema pobreza, o Papa pede para que não percam a esperança. "O Senhor – ressalta Francisco - tem um grande sonho a realizar juntamente com vocês. Os amigos da mesma idade, que vivem em condições menos dramáticas do que as suas, lembram-se de vocês e comprometem-se para que a paz e a justiça possam pertencer a todos".
Reflexão e atitude
Para participar do Jubileu dos Adolescentes, o Santo Padre faz um apelo aos jovens para que preparem o coração e a mente, e meditem os desejos entregues a Jesus no Sacramento da Reconciliação e na Eucaristia.
"Quando passarem pela Porta Santa – destaca o Papa Francisco -, lembrem de que vocês se comprometem a santificar suas vidas e a se alimentarem do Evangelho e da Eucaristia, que são a Palavra e o Pão da vida, para que possam construir um mundo mais justo e fraterno".
No espírito da JMJ (Jornada Mundial da Juventude), em Roma, uma programação especial está sendo preparada para os adolescentes inscritos para participar das celebrações do Jubileu nos dias 23 e 24 de abril, como o Sacramento da Reconciliação e a passagem pela Porta Santa, além da missa com o Papa Francisco na Praça São Pedro. (PS)

"A fé é nossa vitória. Longe de Deus somos derrotados"

Cidade do Vaticano (RV) – Nesta quinta-feira (13/01), o Papa celebrou a missa matutina na Casa Santa Marta e começou a homilia inspirando-se no trecho do Livro de Samuel que narra a derrota do Povo de Deus, vencido pelos filisteus:
É um massacre enorme, o povo perde tudo, inclusive a dignidade. "O que levou a esta derrota"?, perguntou o Papa, respondendo: o povo "lentamente havia se afastado do Senhor e vivia de modo mundano, com os ídolos que possuía". Iam ao Santuário de Silo, mas "como se fosse um costume cultural: haviam perdido a relação filial com Deus. Não adoravam Deus! E o Senhor os deixou sozinhos". O povo usa até mesmo a Arca de Deus para vencer a batalha, mas como se fosse uma coisa "um pouco mágica".
"Na Arca – lembra o Papa – havia a Lei, a Lei que eles não respeitavam e da qual haviam se afastado". Não havia mais "uma relação pessoal com o Senhor! Eles tinham se esquecido que Deus os havia salvado. E assim, são derrotados: 30 mil israelitas mortos, a Arca de Deus é tomada pelos Filisteus; os dois filhos de Eli, "aqueles sacerdotes delinquentes que exploravam o povo no Santuário de Silo" morrem. "Uma derrota total" – afirma o Papa – "um povo que se afasta de Deus acaba assim": tem um santuário, mas o coração não está com Deus, não sabe adorar Deus:
"Crê em Deus, mas num Deus meio ’escondido, distante, que não entra no coração e você não obedece seus Mandamentos. Esta é a derrota!". O Evangelho do dia, ao invés, nos fala de uma vitória:
"Naquele tempo, foi a Jesus um leproso que o suplicava de joelhos – num gesto de adoração – e lhe dizia: 'Se quiser, pode purificar-me'. Ele desafia o Senhor dizendo: eu sou um perdido na vida. O leproso era um derrotado porque não podia viver em comum. Ele era 'descartado', posto de lado. Mas você pode transformar esta derrota em vitória! Ou seja: 'Se quiser, pode purificar-me'. Diante disto, Jesus teve compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: 'Eu quero. Seja purificado!'. Assim, simplesmente: esta batalha terminou em dois minutos com a vitória. A outra, toda a jornada, com a derrota. Aquele homem tinha algo que o levou a ir a Jesus e lançar aquele desafio. Ele tinha fé"!.
O Apóstolo João diz que a vitória sobre o mundo é a nossa fé. "Nossa fé vence, sempre"!
"A fé é vitória. A fé. Como este homem: 'Se você quiser, pode fazê-lo'. Os derrotados da primeira leitura rezavam a Deus, carregavam a Arca, mas não tinham fé, tinham-na esquecido. O outro tinha fé e quando você pede com fé, o próprio Jesus nos disse que se movem as montanhas. Nós somos capazes de mover uma montanha de um lado para outro: a fé é capaz disso. Jesus mesmo disse: 'Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vos será dado. Pedi e recebereis; batei e vos será aberto'. Mas com fé. E esta é a nossa vitória".
Papa Francisco concluiu a homilia com esta oração:
Peçamos ao Senhor que a nossa oração sempre tenha a raiz da fé, nascida da fé n'Ele. A graça da fé: a fé é um dom. Não se aprende nos livros. É um dom que o Senhor lhe dá, mas basta pedi-la: 'Dá-me a fé'!. 'Creio, Senhor', disse aquele homem que pedia a Jesus para que curasse o seu filho: Peço Senhor, ajuda a minha pouca fé’. A oração com fé e é curado... Peçamos ao Senhor a graça de rezar com fé, para ter certeza de que tudo o que pedimos a Ele será dado, com a confiança que nos dá a fé. E esta é a nossa vitória: a nossa fé". (CM-SP)

Se casar não é uma obrigação, mas sim um dever de quem se ama e amar é o motivo mais lindo de se viver...

Abertura da Porta Santa em Lampedusa no Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Lampedusa (RV) – Lampedusa, porta de entrada de milhares de migrantes e refugiados, e destino da primeira viagem do Papa Francisco, em 8 de julho de 2013, como não poderia deixar de ser, não ficará alheia ao Ano Jubilar. De fato, no próximo sábado, às 16 horas, o Cardeal Francesco Montenegro, Arcebispo de Agrigento, presidirá a celebração das Vésperas e abrirá a Porta Santa do Santuário de Nossa Senhora de Porto Salvo.
Porta da Europa

No domingo, dia 17, por sua vez, Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, serão realizados os eventos mais intensos, envolvendo os refugiados que fogem da guerra, arriscando suas vidas na travessia do Mediterrâneo em busca de uma nova esperança. De fato, às 9h30min, será realizado um momento de oração e reflexão sobre o tema da Jornada - "Migrantes e refugiados nos interpelam. A resposta do Evangelho da Misericórdia - diante da "Porta da Europa", o monumento dedicado à memória dos migrantes mortos no mar".
Abertura de uma segunda Porta Santa
Não será uma surpresa se neste local o Cardeal Montenegro abrir uma segunda Porta Santa, totalmente fora dos moldes conhecidos, pois não será o acesso a uma igreja mas um portal de esperança para um destino melhor, uma memória por quem perdeu a vida na rota da esperança.
Cruz feita com remos em Cuba
Por fim, às 11 horas, na Paróquia de São Gerlando, será celebrada uma missa presidida pelo Cardeal Montenegro, ocasião em que será entregue à comunidade de Lampedusa um presente do Papa Francisco: o grande crucifixo feito de remos pelo artista cubano Kcho, recebido do Presidente cubano Raúl Castro, por ocasião da sua visita apostólica à Ilha em setembro passado. (JE)

O significado da visita do Papa à Sinagoga de Roma

Cidade do Vaticano (RV) – No próximo domingo, 17 de janeiro, o Papa Francisco realizará uma visita à Sinagoga de Roma. Será o terceiro Pontífice a visitar o Templo Maior após João Paulo II e Bento XVI. O Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, concedeu uma entrevista ao L’Osservatore Romano, onde fala da visita do Santo Padre ao e do Jubileu.
OR: Precisamente no início do Jubileu da Misericórdia o Papa Francisco visita a mais antiga comunidade da diáspora ocidental. Qual o significado deste gesto?
"Me parece uma belíssima continuidade na tradição. João Paulo II foi o primeiro Papa na história a visitar a Sinagoga de Roma, em 13 de abril de 1986. Depois dele, o fez Bento XVI em 17 de janeiro de 2010, no dia que precede o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Para este dia, na Itália, a Conferência Episcopal convocou a celebração do Dia do Judaísmo. Estou muito contente de que várias Conferências Episcopais tenham escolhido instituir este dia. A data não foi escolhida ao acaso, pois a sua colocação na véspera do início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos quer significar que o judaísmo está muito próximo do cristianismo. Gostaria também de recordar as boas relações do Papa Francisco com o mundo judaico, que remontam aos seus anos de episcopado na Argentina. Recordo, particularmente que o Papa tem também uma grande amizade com o Rabino Abraham Skorka, que o acompanhou na sua viagem à Terra Santa. A visita do Papa Francisco à Sinagoga de Roma tem em si uma mensagem que o Pontífice considera muito importante e que não se cansa nunca de dizer claramente: é absolutamente impossível ser cristãos e, ao mesmo tempo, ser antissemita. Nestes tempos, em que assistimos a novas ondas de antissemitismo na Europa, me parece ser uma mensagem ainda mais importante. É certamente um sinal muito bonito que o Papa queira aprofundar a relação com a comunidade judaica de Roma, que viveu a sua fé por muito tempo antes da chegada do cristianismo".
OR: Foi publicado há cerca de um mês o documento da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo "Porque o dom e o chamado de Deus são irrevogáveis". Como nasceu esta iniciativa?
"Cinquenta anos após a promulgação da Nostra Aetate era importante realizar uma reflexão posterior sobre a relação entre cristianismo e judaísmo. Em primeiro lugar, era fundamental expressar gratidão por tudo aquilo que foi possível realizar neste meio século. Em segundo lugar, era oportuno preparar uma nova fase de diálogo entre judeus e católicos sobre algumas temáticas teológicas a serem aprofundadas no futuro".
OR: Qual é a natureza do documento?
"É claro que não se trata de um texto de diálogo. Para sê-lo, deveria ter sido preparado juntamente com os judeus. Certamente, antes da publicação do texto o entregamos a especialistas judeus, mas permanece como um documento católico. É dirigido aos fieis, para que conheçam a existência do diálogo com o judaísmo e as raízes judaicas do cristianismo, podendo assim participar deste diálogo. Por isto, não é um texto doutrinal ou magisterial, mas teológico que serve para aprofundar alguns temas".
OR: Que resposta vocês obtiveram por parte do mundo judaico?
"Sou muito agradecido que também alguns rabinos consideram que chegou o tempo de discutir estas temáticas. Após a publicação do documento chegaram convites para um renovado diálogo. O mundo judaico, de fato, acolheu bem o texto. Ao mesmo tempo, quase que contemporaneamente, alguns rabinos de todo o mundo publicaram uma declaração sobre o diálogo com os cristãos. Nós recebemos este texto com grande alegria e gratidão".
OR: Qual foi o fio condutor do diálogo com os judeus em 2015?
"No ano passado, com a Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, recordamos em particular o 50º aniversário da promulgação da Declaração Conciliar Nostra Aetate e celebramos esta recorrência em várias partes do mundo: no Brasil, Estados Unidos, Suiça, Alemanha, e por fim, em dezembro passado, em Israel".
OR: Que balanço se poderia fazer das atividades do dicastério no ano que passou?
"Em 2015 prosseguimos, sobretudo, os diálogos em andamento e visitamos diferentes Igrejas e comunidades eclesiais. E o Papa Francisco recebeu muitos representantes de outras Igrejas em audiência. Tivemos também a alegria do dom da Encíclica Laudato Si, que foi apresentada em Roma pelo Metropolita Ortodoxo John Zizoulas. Foi sem dúvida um evento ecumênico. Não esqueçamos, também, que no ano passado o Papa estabeleceu a celebração, também na Igreja Católica, do Dia de Salvaguarda da Criação, em 1º de setembro, em coincidência com aquela promovida pelo Patriarca de Constantinopla".
OR: Qual é a valência ecumênica do Jubileu da Misericórdia?
"O fulcro central do Ano Santo a nível ecumênico é a celebração das Segundas Vésperas no dia 25 de janeiro, na Basílica São Paulo fora-dos-muros, na conclusão da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. De fato, a temática da misericórdia de Deus é essencialmente ecumênica, porque o ecumenismo não é somente um diálogo sobre questões difíceis e controversas, mas deve concentra-se também sobre temáticas centrais e comuns da nossa fé. E a misericórdia de Deus é o coração da nossa fé. Soube de dioceses que inseriram algumas celebrações ecumênicas do Ano Santo no programa. Estas iniciativas me parece muito importantes, porque é necessário aprofundar o tema da misericórdia também no âmbito ecumênico".
OR: Que eventos importantes aguardam o discastério em 2016?
"De 30 de janeiro a 6 de fevereiro, no Cairo, realizar-se-á a Plenária da Comissão Mista Internacional com todas as Igrejas Orientais Ortodoxas sobre o tema dos Sacramentos da iniciação cristã, sobretudo o Batismo. Não é uma temática fácil, porque algumas Igrejas Orientais Ortodoxas têm ainda a prática do rebatismo. Este é um problema, porque o Batismo e o seu recíproco reconhecimento são o fundamento do ecumenismo e se uma Igreja segue ainda esta prática é um ponto difícil sobre o qual devemos discutir.
Espero que no próximo outono possamos ter uma Plenária da Comissão Mista Internacional com todas as Igrejas Ortodoxas para continuar o diálogo sobre as relações entre sinodalidade e primado. Não é absolutamente fácil a discussão sobre este tema. Haverá, além disto, um momento para recordar o 50º aniversário da primeira visita do Arcebispo de Cantuária a Roma após a Reforma, ou seja, o encontro do Arcebispo Michael Ramsey com Paulo VI, ocorrido em 23 de março de 1966, e para recordar também a instituição de uma representação pessoal junto com o Centro Anglicano em Roma. Por fim, para este ano, devemos e queremos programar uma Plenária do nosso Pontifício Conselho". (JE)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Papa convida sacerdote para pregar Exercícios Espirituais da Quaresma

 
Cidade do Vaticano (RV) – "Alô, sou o Papa Bergoglio. Devo perdir-lhe um favor". Quem ouviu surpreso a voz do Papa Francisco ao atender o telefone há alguns dias, foi o Padre Ermes Ronchi, da região italiana de Friuli Venezia Giulia. O sacerdote foi convidado pelo Pontífice para pregar os Exercícios Espirituais da Quaresma, de 6 de março - após o Angelus - até o sábado, dia 12. Será uma semana intensa de encontros e reflexões em Ariccia, que além de Francisco, terá a participação de cerca sessenta pessoas, entre os quais alguns chefes de dicastérios, bispos e cardeais. Em fevereiro de 2015, o Papa Francisco e membros da Cúria participaram dos Exercícios Espirituais da Quaresma na Casa Divino Mestre, em Ariccia.
"O telefonema do Papa me pegou de surpresa , confessa o Padre Hermes ao "Messaggero Veneto". A minha primeira reação foi de tremor, de emoção. Quando me disse que devia me pedir um favor não hesitei em responder "mas claro, imagina, diga, qualquer coisa de que o senhor tenha necessidade...!". Mas quando me disse que queria convidar-me para organizar alguns encontros de reflexão, vacilei e lhe respondi que não era a pessoa certa, que não estava à altura da missão que me propunha".
Uma resposta que não diminuiu o entusiasmo do Papa, que em poucas palavras respondeu: "Então comecemos no domingo seis de março". Mas temendo atrapalhar a programação do Padre Ermes, Francisco perguntou-lhe: "Queres antes olhar a tua agenda"?. (JE/Aska)

Livro do Papa: alegria e comoção com o Card. Parolin e o ator Benigni


Cidade do Vaticano (RV) - O volume "O nome de Deus é Misericórdia" foi apresentado na manhã desta terça-feira no Instituto Patrístico Augustinianum de Roma.
Além do autor da conversação com o Papa, o vaticanista Andrea Tornielli, participaram do evento o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, e o ator e diretor cinematográfico italiano Roberto Benigni. O comovente testemunho do encarcerado Zhang Agostino Jianquing, e ainda, a participação do diretor da Livraria Editora Vaticana, Pe. Giuseppe Costa. A apresentação foi moderada pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi.
Um livro para aprofundar o mistério da Misericórdia de Deus e entender o que esta representa na vida e no Pontificado do Papa Francisco. É o significado mais profundo do livro “O nome de Deus é Misericórdia” nascido da entrevista, ou melhor, como precisou Pe. Lombardi, da conversação do Pontífice com o vaticanista Tornielli. Publicado no Ano Santo, o volume – editado em 86 países – representa, segundo o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, um valioso subsídio para o Jubileu da Misericórdia:
"Este livro-conversação é preciosíssimo justamente no contexto deste Ano jubilar. Com esse livro-conversação temos a sua experiência da misericórdia, em sua vida sacerdotal, em seu ministério, em sua espiritualidade.”
"Quem está em busca de revelações – disse o Cardeal Parolin em sua fala – talvez fique desiludido". Efetivamente, o volume quer "tomar o leitor pela mão para entrar no mistério da Misericórdia, que é a carteira de identidade do cristão", ressaltou o purpurado.
"O volume, que é de fácil leitura, tem uma característica que é peculiar de seu autor principal, ou seja, o Papa. De fato, é um livro que abre portas, que quer mantê-las abertas e pretende indicar possibilidades; que deseja fazer resplendecer, ou ao menos mostrar, o dom gratuito da infinita misericórdia de Deus, "sem o qual o mundo não existiria" – como disse uma vez uma anciã ao então Dom Bergoglio, pouco após tornar-se bispo auxiliar de Buenos Aires".
O livro, acrescentou o cardeal, não dá respostas definitivas, nem entra na casuística, mas "alarga o olhar ao encontro com o amor infinito de Deus" que supera as lógicas humanas.
E recordou que Francisco não somente nos recorda que vivemos num mundo que perdeu o sentido do pecado, mas que cada vez mais precisa de misericórdia.
Em seguida, o Cardeal Parolin evidenciou a importância da misericórdia não somente na conversão pessoal, mas também nas relações entre os Estados e os povos. O Papa Francisco tem convicção disso, disse o purpurado, como o tinha São João Paulo II, em particular, após os atentados de 11 de setembro:
"A mensagem do Papa, a mensagem cristã da misericórdia e do perdão, as muitas portas santas que são escancaradas, o chamado a deixar-se abraçar pelo amor de Deus é algo que não diz respeito somente à conversão de cada um de nós, à salvação da alma de cada pessoa; é algo que nos diz respeito também como povo, como sociedade, como país e pode ajudar-nos a construir relações novas e mais fraternas porque quem experimentou em si a abundância da graça no abraço de misericórdia, quem foi e continua sendo perdoado, pode restituir ao menos um pouco daquilo que gratuitamente recebeu".
É um livro comovente porque mostra que o abraço de Jesus nos levanta se nos abandonamos ao amor de Deus, disse ainda o Cardeal Secretário de Estado.
A participação sucessiva suscitou comoção: o testemunho de Zhang Agostino Jianquing, jovem encarcerado de origem chinesa, detido em Pádua – nordeste da Itália –, que contou como após anos de violência encontrou a fé propriamente no cárcere, através de um voluntário que o levou ao encontro com o Senhor:
"Após o Batismo entendi toda a misericórdia da qual fui objeto, mesmo quando não me dava conta disso. E este livro do Papa Francisco ajudou-me a compreender melhor aquilo que aconteceu comigo. Eis o motivo do nome Zhang Agostino: Agostino porque pensando em Santo Agostinho, em sua história, comoveu-me particularmente sua mãe, Santa Mônica, por todas as lágrimas que derramou por seu filho, esperando reencontrar o filho perdido. É de certo modo como a minha situação: pensando em minha mãe e no rio de lágrimas que derramou por mim, esperando que eu pudesse reencontrar o sentido da minha vida".
Em seguida, com palavras comoventes, Zhang Agostinho agradeceu ao Papa, a quem pôde encontrar propriamente com a publicação do livro, por sua constante atenção e cuidado para com os encarcerados:
"Caro Papa Francisco, obrigado pelo afeto e a ternura que jamais deixa de nos testemunhar. Obrigado por seu incansável testemunho. Obrigado pelas páginas deste livro das quais emerge o coração de um pastor misericordioso. E nós o recordamos sempre em nossas orações".
Da comoção suscitada pelo detento passou-se à alegria contagiante: a última participação, muito aguardada, foi a do ator e diretor cinematográfico Roberto Benigni, que arrancou o efusivo aplauso dos presentes. O ator iniciou ressaltando os sentimentos que teve com a leitura do livro:
"É um livro – digamos – que nos acaricia, que nos abraça, que nos 'misericórdia' que é um termo inventado pelo Papa. Misericórdia – atenção! – não é uma virtude assim, que está sentada na poltrona... é uma virtude ativa, que se move: olhem para o Papa, jamais está parado! Move não somente o coração, mas também os braços, as pernas, os calcanhares, os joelhos, move o corpo e a alma, jamais está parado! Vai ao encontro dos míseros, da pobreza, não fica parado um segundo..."
Benigni prosseguiu sua reflexão sobre a Misericórdia evidenciando que esta, junto ao perdão, é a mensagem mais forte que está emergindo do Pontificado de Francisco.
"E a misericórdia para Francisco – atenção! – não é uma visão adocicada, condescendente ou, pior ainda, 'bondosista' da vida: não! É uma virtude severa, é um verdadeiro desafio, mas não somente religioso-teológico: é um desafio social, político! Aquilo que Francisco está fazendo é impressionante. E o que Francisco faz para vencer esse desafio, digamos, incrível? O que é que lhe dá forças? É propriamente a medicina da misericórdia. Vejam só, ele vai buscá-la entre os derrotados, entre os últimos dos últimos. Aonde foi publicamente quando começou seu Pontificado? Foi a Lampedusa, propriamente aonde chegam os últimos dos últimos. E onde abriu a Porta Santa do Jubileu? Na República Centro-Africana, em Bangui, no lugar mais pobre dos pobres dos pobres do mundo: justamente no lugar mais pobre Francisco vai ao encontro da proximidade, da dor do mundo, do sofrimento, porque ali, no meio da dor nasce a misericórdia".
Num mundo que pede a condenação, ressaltou Benigni, Francisco quer, ao invés, a misericórdia. E não vê contraposição com a justiça:
"E então, diz, porém, se se perdoa tudo, para que serve a justiça? Mas a misericórdia – nos diz o Papa Francisco – é a justiça maior. A justiça é o mínimo da misericórdia. A misericórdia não elimina a justiça: não a suprime, não a corrompe. Vai além. Um mundo somente com a justiça seria um mundo frio, não? E se sente que o homem não precisa somente de justiça: precisa também de algo diferente. No livro se sente que Francisco nos faz perceber exatamente isso, porque a misericórdia é propriamente a fonte de seu Pontificado..."
Por fim, o autor do livro com o Papa, o vaticanista do diário "La Stampa" Andrea Tornielli agradeceu aos que – a começar pelo editor – acreditaram neste projeto editorial e quis unir a figura de Bergoglio à de São João XXIII, que sabia olhar com misericórdia para os pecadores, abraçando todos, inclusive os encarcerados, como faz hoje o Papa Francisco. (RL)
Coroinhas da Paróquia de N. Sra. dos Aflitos, participam de oficina de terços, responsável pelas aulas é o Coordenador dos Coroinhas Marcelo Soares.
 
 
 
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Papa Francisco nos orienta com a oração faz milagres e impede que o coração endureça.

Cidade do Vaticano (RV) – A oração faz milagres e impede que o coração endureça, esquecendo a piedade: foi o que disse o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã de terça-feira (12/01).
Podemos ser pessoas de fé e perder o sentido da piedade sob as cinzas dos juízo, das infinitas críticas. Este é o sentido da narração comentada pelo Papa. Os protagonistas são Ana – mulher angustiada com a própria esterilidade, que suplica a Deus o dom de um filho - e um sacerdote, Eli, que a observa distraidamente de longe, sentado numa cadeira do templo. A cena descrita no livro de Samuel relata primeiro as palavras de Ana e, depois, os pensamentos do sacerdote, que não conseguindo ouvir o que ela diz, sentencia de que se trata de uma "bêbada". Mas, ao invés, aquele choro copioso faz com que Deus realize o milagre suplicado:
"Ana rezava em seu coração e somente os lábios se moviam, mas não se escutava a voz. Esta é a coragem de uma mulher de fé que, com a sua dor, com as suas lágrimas, pede a graça ao Senhor. Tantas mulheres corajosas são assim na Igreja, muitas! Que rezam como se fosse uma aposta…. Pensemos somente numa grande mulher, Santa Mônica, que com as suas lágrimas conseguiu obter a graça da conversão do seu filho, Santo Agostinho. Existem muitas mulheres assim".
Eli, o sacerdote, é "um pobre homem" pelo qual, admite Francisco, sinto uma "certa simpatia" porque "também vejo em mim defeitos que me aproximam dele e me fazem entende-lo melhor". "Com quanta facilidade – afirma o Papa – nós julgamos as pessoas, com quanta facilidade não temos respeito e dizemos 'O que terá em seu coração'? Não sei... mas não digo nada...". Quando "falta piedade no coração, sempre se pensa mal" e não se entende aqueles que rezam "com dor e angústia" e "confiam a dor e a angústia ao Senhor":
"Jesus conheceu esta oração no Jardim das Oliveiras, quando eram tamanhas a dor e a angústia que Jesus suou sangue e não repreendeu o Pai: "Pai, se quiser, tire-me isto, mas seja feita a sua vontade". E Jesus respondeu do mesmo jeito que a mulher: com a mansidão. Às vezes, nós rezamos, pedimos ao Senhor, mas muitas vezes não sabemos chegar à luta com o Senhor, às lágrimas, a pedir, a pedir a graça".
O Papa lembra ainda a história do homem de Buenos Aires que, com a filha de 9 anos hospitalizada em fins de vida, ia a Virgem de Luján e passou a noite grudado nos portões do Santuário para pedir a graça da cura para a menina. E na manhã seguinte, ao voltar ao hospital, encontrou a filha curada:
"A oração faz milagres, faz milagres também para os cristãos, sejam leigos, como sacerdotes e bispos que perderam a devoção e a piedade. A oração dos fiéis muda a Igreja: não somos nós, os Papas, os bispos, os sacerdotes, as religiosas a levar avante a Igreja... são os santos! E os santos são estes, como esta mulher. Os santos são aqueles que têm a coragem de crer que Deus é o Senhor e que tudo pode fazer".

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Também eu preciso da misericórdia de Deus, diz Francisco

Cidade do Vaticano (RV) – "O nome de Deus é misericórdia" é o título do livro-entrevista do Papa Francisco ao vaticanista Andrea Tornielli. A obra – editada pela Piemme – será lançada na terça-feira, 12 de janeiro, em 86 países. “O Papa é um homem que tem necessidade da misericórdia de Deus”, confidenciou Bergoglio na entrevista ao jornalista do La Stampa.
O Pontífice voltou a reiterar a sua "relação especial" com os prisioneiros. "Cada vez que passo pela porta de uma prisão para uma celebração ou para uma visita – explica – sempre me vem este pensamento: porque eles e não eu"?, "a queda deles poderia ter sido a minha, não me sinto melhor de quem tenho diante de mim".
Como Pedro, também seus Sucessores são pecadores
"Isto pode escandalizar – admite – mas encontro consolo em Pedro: renegou Jesus e não obstante isto foi escolhido". O Papa recorda de ter ficado muito tocado ao ler alguns textos de Paulo VI e João Paulo I: "Albino Luciani definia a si mesmo como "o pó" – no sentido das próprias limitações, das próprias incapacidades que são supridas pela misericórdia de Deus". São Pedro – observa – traiu Jesus. "E se os Evangelhos nos descrevem o seu pecado, a sua negação e se não obstante tudo isto Jesus lhe disse: 'Apascenta as minhas ovelhas', não acredito que se deva maravilhar se também os seus Sucessores descrevem a si mesmos como pecadores", explica. Em outra passagem do volume, Francisco afirma que pode "ler" a sua vida através do capítulo 16 de Livro do Profeta Ezequiel, onde o Profeta "fala da vergonha".
A vergonha é graça que nos faz sentir a misericórdia de Deus
A vergonha – sublinha o Papa – é uma graça. "Quando alguém experimenta a misericórdia de Deus, sente uma grande vergonha de si mesmo, do próprio pecado". A vergonha – evidencia – "é uma das graças que Santo Inácio pede na confissão dos pecados diante do Cristo crucificado". O texto de Ezequiel – confidencia – "ensina a envergonhar-se", mas "com toda a tua história de miséria e de pecado, Deus permanece fiel e te levanta". Francisco recorda o Padre Carlos Duarte Ibarra, o confessor que encontrou na sua paróquia em 21 de setembro de 1953, dia em que a Igreja celebra São Mateus: "Me senti acolhido pela misericórdia de Deus confessando-me com ele". Uma experiência tão forte que, anos mais tarde, a vocação de São Mateus descrita nas homilias de São Beda, o Venerável, acabaria tornando-se seu lema episcopal: miserando ataque elegendo.
Igreja existe para permitir o encontro com a misericórdia de Deus
Francisco aprofunda então a missão da Igreja no mundo. Antes de tudo, evidencia que a "Igreja condena o pecado porque deve dizer a verdade". Ao mesmo tempo, porém, "abraça o pecador que se reconhece como tal, aproxima-se dele, fala a ele da misericórdia infinita de Deus". Jesus – salienta o Papa – "perdoou até mesmo aqueles que o crucificaram e o desprezaram". Francisco evoca a Parábola do Pai misericordioso e do filho pródigo: "Seguindo o Senhor – é a sua reflexão – a Igreja é chamada a efundir a sua misericórdia sobre todos aqueles que se reconhecem pecadores, responsáveis pelo mal praticado, que se sentem necessitados do perdão". "A Igreja – adverte ainda – não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus".
Que o Jubileu faça ressurgir sempre mais o rosto de uma Igreja materna
Para anunciar a misericórdia de Deus – acrescenta o Papa – "é necessário sair". "Sair das Igrejas e das paróquias, sair e andar em busca das pessoas lá onde elas vivem, onde sofrem e onde esperam". Francisco retorna assim, à imagem da Igreja como "hospital de campanha". "A Igreja em saída tem uma característica de surgir lá onde se combate: não é a estrutura sólida, dotada de tudo, onde se vai para curar as pequenas e grandes enfermidades". Nela "se pratica a medicina de urgência, não se fazem os check-up" de especialistas. Neste sentido, Francisco auspicia que "o Jubileu Extraordinário faça surgir sempre mais o rosto de uma Igreja que redescubra as vísceras maternas da misericórdia e que vá de encontro aos tantos feridos, necessitados de escuta, compaixão, perdão, amor".
Pecadores sim, mas não aceitar o estado de corrupção
O Papa Francisco volta a fazer a distinção entre pecado e corrupção. Esta última – observa – "é o pecado que ao invés de ser reconhecido como tal e de tornar-nos humildes, é elevado à sistema, torna-se um hábito mental, um modo de vida". "O pecador arrependido, que depois cai e recai no pecado devido à sua fraqueza – reitera – encontra novamente perdão caso reconheça-se necessitado de misericórdia. O corrupto – pelo contrário – é aquele que peca e não se arrepende, aquele que peca e finge ser cristão, e com a sua vida dupla, provoca escândalo". "Não é necessário aceitar o estado de corrupção como se fosse somente um pecado a mais – advertiu Francisco – mesmo se frequentemente se identifica a corrupção com o pecado, na realidade, trata-se de duas realidades distintas, se bem que ligadas entre si". "Alguém pode ser um grande pecador – observa – e não obstante isto pode não ter caído na corrupção". Francisco exemplifica citando figuras como Zaqueu, Mateus, a Samaritana, Nicodemos e o 'Bom Ladrão'. "Em seus corações pecadores – afirma – todos tinham alguma coisa que os salvava da corrupção. Eram abertos ao perdão, o coração deles advertia a própria fraqueza e esta foi a brecha que fez entrar a força de Deus". (JE)

Jubileu: primeiro mês registra um milhão de peregrinos em Roma

Cidade do Vaticano (RV) – Mais de um milhão de peregrinos em um mês: desde a abertura da Porta Santa da Basílica de S. Pedro, em 8 de dezembro passado, o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização registrou a presença em Roma de um milhão e 25 mil fiéis para os eventos jubilares.
"Os números não são importantes numa dimensão espiritual, mas indicam uma intensa participação e uma real exigência dos fiéis", afirma o Presidente do Pontifício Conselho, Dom Rino Fisichella, num artigo publicado pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano.
Roma protagonista
"O Papa Francisco deseja que o Jubileu seja primeiramente um evento da Igreja, vivido em cada diocese, para redescobrir a força da misericórdia na vida cotidiana. As catedrais e os santuários não foram suficientes para conter o fluxo de fiéis que lotaram as praças na espera de realizar o gesto simbólico da passagem da porta santa. Tudo isso não impediu que Roma permanecesse protagonista do Jubileu", escreve Dom Fisichella.
O Arcebispo cita algumas medidas tomadas pelas autoridades civis de Roma para facilitar a mobilidade dos peregrinos, como a criação de um percurso reservado a eles na "via della Conciliazione" – que leva diretamente à Porta Santa da Basílica Vaticana – e o reforçamento da segurança.
Misericórdia transforma a vida
Dom Fisichella cita as palavras de Francisco na homilia de abertura: "Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos procura, é Ele que nos vem ao encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia... Que atravessar da Porta Santa nos faça sentir participantes deste mistério de amor, de ternura. Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor".
"Transcorreu o primeiro mês e teve início um ano sempre mais crescente de participação e de eventos que dão a entender quanto o Jubileu da Misericórdia tenha entrado no coração das pessoas e possa transformar a vida", conclui Dom Fisichella.

Angelus: ser batizado comporta a responsabilidade de seguir Jesus

  
 Cidade do Vaticano (RV) – "Ser batizado comporta a responsabilidade de seguir Jesus": após batizar 26 crianças na Capela Sistina, o Papa rezou o Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça S. Pedro.
Francisco dedicou toda a alocução que antecede a oração mariana à festa do Batismo do Senhor, que a liturgia celebra este domingo (10/01).
O Evangelho apresenta Jesus, nas águas do Rio Jordão, no centro de uma revelação divina: depois de receber o Batismo, o céu se abriu e desceu sobre Ele o Espírito Santo em forma corporal, como pomba. E do céu veio uma voz: "Tu és o meu Filho; eu, hoje, te gerei". Deste modo, explicou o Papa, Jesus é consagrado e manifestado pelo Pai como o Messias salvador e libertador.
Espírito Santo, artífice principal
Neste evento, prosseguiu, ocorreu a passagem do Batismo de João Batista, baseado no símbolo da água, ao Batismo de Jesus com o Espírito Santo e com o fogo. De fato, no Batismo cristão, o Espírito Santo é o artífice principal: "É Ele que queima e destrói o pecado original, restituindo ao batizado a beleza da graça divina; é Aquele que nos liberta do domínio das trevas, isto é, do pecado, e nos transfere para o reino da luz, ou seja, do amor, da verdade e da paz. Pensemos a qual dignidade nos eleva o Batismo".
Todavia, recordou Francisco, esta realidade de sermos filhos de Deus comporta a responsabilidade de seguir Jesus e reproduzir em nós mesmos os seus traços: mansidão, humildade e ternura. "E isso não é fácil, especialmente se nos circunda tanta intolerância, soberba e dureza. Mas é possível com a força que nos vem do Espírito Santo! O Espírito nos doa a ternura do perdão divino e nos dá a força invencível da misericórdia do Pai".
Lição de casa
Na festa do Batismo de Jesus, o Papa deu uma "lição de casa" aos fiéis na Praça S. Pedro: que procurem saber qual foi a data do seu Batismo, porque não é uma data qualquer, mas uma data a festejar, "pois é o nosso renascimento como filhos de Deus".
E concluiu: "Que a Virgem Maria nos ajude a viver com alegria e fervor apostólico o nosso Batismo, acolhendo todos os dias o dom do Espírito Santo, que nos faz filhos de Deus".
Ao final do Angelus, o Pontífice recordou a celebração da Santa Missa, momentos antes, em que batizou inúmeros bebês, e concedeu uma bênção especial a todas as crianças que foram batizadas recentemente e também aos jovens e adultos que receberam ou estão se preparando para receber os Sacramentos da iniciação cristã.
 

Papa: a fé é a maior herança que os pais deixam aos filhos

Cidade do Vaticano (RV) – Por ocasião da festa do Batismo do Senhor, Francisco batizou este domingo (10/01) 26 bebês na Capela Sistina. Foram 13 meninas e 13 meninos – na maioria filhos de funcionários do Vaticano.
Trata-se de uma das celebrações mais sugestivas do ano. O vislumbre dos turistas com os afrescos de Michelangelo dá lugar ao choro e ao balbuciar das crianças. Local da eleição dos papas, por um dia mamadeiras, fraldas e chupetas adornam a obra renascentista.
De geração em geração
De acordo com o rito do Batismo, no início da celebração o pai pronuncia o nome com o qual quer chamar seu filho e pede para ele a fé. Justamente este pedido guiou a reflexão que Francisco fez em sua concisa homilia.
Ao responderem que querem a fé para seus filhos, disse o Papa, esta é transmitida de geração em geração, como uma corrente ao longo dos tempos. "Com o passar dos anos – prosseguiu Francisco dirigindo-se aos pais– esses meninos e meninas ocuparão o seu lugar com outro filho, seus netos, e pedirão a mesma coisa: a fé".
Fé: a maior herança Quando a Igreja lhes entregar a vela acesa, explicou, lhes dirá de preservar a fé dessas crianças. "Não se esqueçam que a maior herança que poderão deixar às crianças é a fé. Fazer de modo que esta não se perca, que a façam crescer. É o que desejo a vocês: que sejam capazes de fazer crescer essas crianças na fé e que a maior herança que elas recebam seja propriamente a fé".
O Papa concluiu sua homilia deixando as mães à vontade para amamentar "com toda a liberdade" caso os filhos chorassem de fome.
A celebração prosseguiu com o rito tradicional, com o Pontífice batizando pessoalmente cada um dos 26 bebês.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Missas em Santa Marta: momentos de encontro e partilha da Palavra

Cidade do Vaticano (RV) – Após as festividades de Natal e de fim de ano, o Papa retoma as celebrações Eucarísticas na Capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano. Trata-se de um momento muito seguido pelos fiéis, através da Rádio Vaticano e da mídia, sobretudo por causa das homilias pronunciadas pelo Santo Padre.
A propósito, eis que disse em entrevista à emissora vaticana, o Arcebispo de Bolonha, Dom Matteo Zuppi, sobre o que esta dimensão do Pontificado de Francisco representa para o Povo de Deus:
"Representa, em meu parecer, dois aspectos muito importantes: o primeiro é o aspecto de um Papa que encontra e celebra com a comunidade cristã; o segundo consiste em uma celebração ordinária, com a partilha da Palavra, embora a sua pregação seja breve, segundo o estilo de Francisco. Acho que isto é muito importante porque a sua linguagem é simples, direta, clara, compreensível a todos, mas também muito exigente e aderente aos textos evangélicos, apresentado com imagens e exemplos práticos. A sua comunicação é acessível e de caráter imediato, fruto da sua grande vida interior e da sua própria experiência pastoral".
As homilias das Missas celebradas em Santa Marta são expressão das palpitações do coração do Pontificado de Francisco....
"Eu acho, como acontece no caminho de cada um de nós, que a escuta e o confronto com a Palavra de Deus são sempre motivo de inspiração, de conversão. O Papa nos envolve neste caminho, que ele trilha em primeira pessoa. As suas reflexões nutrem até mesmo as grandes escolhas! Este homem simples compartilha a Palavra conosco, enfrentando os grandes temas da vida ordinária. Logo, as suas pregações matutinas são um alimento diário para as nossas escolhas de fundo e para aquelas que a Igreja deve enfrentar". (MT)